Praça da Fundação, Reduto São Teodósio, Forte Tamandaré E Forte São José
A Praça da Fundação, inaugurada em 23 junho 2000, foi construída com pedras portuguesas, com o desenho da Cruz da Ordem de Cristo. O monumento, em granito, erguido no ano de 1915, pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, presta uma homenagem aos fundadores da Cidade.
Localizada entre Morro Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão, encontra-se a Praia de Fora, (antiga praia brava) onde o Capitão Mor português, Estácio de Sá, desembarcou, em 1º de março de 1565, fundando nossa Cidade. Estácio de Sá veio ao Rio de Janeiro, a mando da Coroa Portuguesa, para expulsar os invasores franceses instalados na ilha de Seregipe, atual ilha de Villegagnon onde está situado a Escola Naval. Em 1567, os franceses foram derrotados e, durante a Batalha de Uruçu-mirim, Estácio de Sá é ferido por uma flecha envenenada e vem a falecer, um mês depois, aqui na Fortaleza de São João.
Por ordem do Governador Mem de Sá, esse núcleo de povoamento, que deu origem à cidade, foi transferido para o Morro do Castelo (antigo Desterro), junto com os restos mortais de Estácio de Sá, a Pedra Fundamental de Fundação e a imagem de São Sebastião. Os restos mortais, junto com o marco e a imagem hoje estão na Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca.
O Reduto São Teodósio, erguido em 1572, foi construído na entrada da barra devido à importância estratégica do local para a defesa da Baía de Guanabara contra invasores. Parte de sua muralha ainda está conservada. Tombado pelo IPHAN em 2024.
O canhão conhecido como “Vovó” é um Armstrong de 25 toneladas, calibre 280 mm, fabricado na Inglaterra por volta de 1872. Durante muito tempo foi o maior canhão do Exército. Sua granada pesa 240 Kg. Eram necessários 15 homens e aproximadamente 20 minutos para prepará-lo para o disparo. Seu alcance máximo era de 4.400 metros.
Segundo a História, o Canhão Vovó participou da Revolta da Armada e um de seus tiros atingiu o camarote do Comandante do Aquidabã.
A Revolta da Armada foi um movimento liderado pelo Contra-Almirante Custódio de Melo contra o governo republicano do Marechal Floriano Peixoto. A Marinha era favorável ao retorno da Monarquia, e Custódio de Melo pretendia concorrer à presidência. A revolta durou de 06 de setembro de 1893 até 13 de março de 1894.
Outro canhão histórico do local é um Krupp alemão, calibre 150 mm, modelo 1874, doado pela Casa Krupp ao Imperador Pedro II. Foi o primeiro canhão de costa do Brasil com carregamento pela culatra. A ele é atribuído o disparo que resultou no afundamento do monitor Javari durante a Revolta da Armada. O canhão ficou conhecido como “Cachorro”, pela semelhança com um galgo apoiado nas patas traseiras.
O Forte Tamandaré, antigo Forte da Lage, está localizado sobre uma enorme pedra conhecida como Pedra da Baleia, no meio da Baía de Guanabara. Possui aproximadamente 100 metros por 60 metros de largura.
De grande importância estratégica, foi utilizado inicialmente em 1555 pelo Vice-Almirante Villegagnon. As primeiras obras foram concluídas por volta de 1770. Durante a Revolta da Armada, em 1893, resistiu bravamente e recebeu o título de Fortificação Heroica. Depois disso, foi destruído e reconstruído no início do século XX com modernas estruturas de aço, ferro reforçado e canhões Krupp alemães.
No interior existiam alojamentos, posto de comando, posto de comunicações, cozinha e outras dependências militares. Funcionou como quartel de Artilharia de Costa até 1968. Pelo Decreto nº 34.152 de 12 de outubro de 1953, passou a se chamar Forte Tamandaré, em homenagem da Marinha de Guerra. Hoje está desativado.
Cinturão defensivo da entrada da Baía da Guanabara, o sistema defensivo da Baía da Guanabara era formado pelos Fortes Imbuí, Rio Branco, Fortaleza de Santa Cruz, Forte do Pico, Forte São Luiz, Forte do Gragoatá, Fortaleza de São João, Forte Duque de Caxias e Forte de Copacabana. Esse cinturão defensivo foi construído para proteger a Cidade do Rio de Janeiro.
O Reduto São José, criado em 1578, passou por diversas melhorias ao longo do tempo. Por volta de 1863, o Imperador Pedro II determinou a modernização das fortalezas da entrada da Baía de Guanabara. Foi então construída uma grande galeria com 17 casamatas em blocos de granito trabalhados, encimada por plataforma e parapeito. Em 1872, o novo Forte São José entrou em serviço equipado com 15 canhões Whitworth ingleses de 32 e 70 libras.
O Imperador Pedro II esteve pessoalmente na Fortaleza de São João para a inauguração. A galeria possui dezessete casamatas construídas com grande precisão de engenharia militar. As pedras eram encaixadas artesanalmente de forma milimétrica.
Os canhões Whitworth ingleses possuíam calibres de 32 libras (97 mm) e 70 libras (127 mm), com alcance máximo de aproximadamente 3.000 metros.
Algumas portinholas possuíam chapas de ferro chamadas “Couraças”, usadas para proteger artilheiros e canhões. As janelas superiores auxiliavam na saída da fumaça e dos gases da pólvora após os disparos. Cada disparo exigia aproximadamente dez homens para preparar o canhão. O reparo de madeira que sustentava a peça era formado pelo berço (parte superior) e estrado (parte inferior). Na saída do Forte existe uma placa em mármore carrara com inscrições em latim e referências ao Imperador Pedro II. Em algarismos romanos aparece a data MDCCCLXXII (1872), ano da inauguração do Forte. O Forte São José foi tombado pelo IPHAN em 2024.


