

Após três meses de internação, Juliane Vieira relembra o resgate da família, o tratamento intensivo e os desafios da reabilitação
A advogada Juliane Vieira, de 29 anos, recebeu alta hospitalar nesta semana após permanecer cerca de três meses internada no Hospital Universitário de Londrina, no Paraná, referência no atendimento a pacientes queimados. Ela teve 63% do corpo atingido por queimaduras ao retornar a um apartamento em chamas para salvar a mãe e o primo, no incêndio ocorrido em 15 de outubro. Em sua primeira entrevista após a alta, Juliane detalha o episódio, a recuperação e os próximos passos do tratamento.
Juliane deixou o hospital sob aplausos da equipe multidisciplinar que participou de seu atendimento. O gesto simbolizou o encerramento de uma das internações mais complexas já registradas pela unidade, segundo profissionais envolvidos no caso.
O incêndio ocorreu em um apartamento localizado no 13º andar de um prédio residencial. As chamas começaram na cozinha e se espalharam rapidamente. No imóvel estavam Juliane, a mãe, de 51 anos, e o primo, de 4 anos.
Segundo a advogada, ela acordou com os gritos da criança alertando sobre o fogo. Ao sair do quarto, percebeu que a saída principal estava bloqueada. Sem alternativa, utilizou o suporte externo do ar-condicionado para colocar o primo na janela do apartamento inferior, onde ele foi resgatado com a ajuda de moradores e pessoas que estavam na rua.
Na sequência, Juliane auxiliou a mãe, que foi retirada do local com apoio de civis. Durante uma nova tentativa de saída, a advogada e um bombeiro que atuava no resgate foram atingidos pelas chamas. Ambos sofreram queimaduras; o agente teve alta após cinco dias de internação.
Atendimento e recuperação
Inicialmente atendida em Cascavel, Juliane foi transferida de helicóptero para Londrina em estado grave. Permaneceu mais de um mês em coma induzido e passou por quase 20 procedimentos cirúrgicos, incluindo enxertos e transplantes de pele.
De acordo com a equipe médica, o desafio foi lidar com a extensão das lesões, principalmente nos membros inferiores, e garantir material biológico suficiente para os procedimentos reconstrutivos.
Após a alta, o tratamento segue em regime ambulatorial, com fisioterapia diária, acompanhamento médico e necessidade de novos procedimentos ao longo dos próximos meses. A expectativa é que a recuperação completa leve ao menos um ano.
Juliane relata dificuldades comuns no pós-queimadura, como sensibilidade térmica, coceira intensa e limitações de mobilidade, que ainda exigem auxílio para atividades básicas.
Próximos passos
Apesar das restrições físicas e do longo processo de reabilitação, Juliane afirma que pretende retomar a carreira jurídica quando houver liberação médica. Até lá, seguirá dedicada aos estudos e ao tratamento.
O caso segue como exemplo do impacto de incêndios residenciais e da importância da atuação integrada entre equipes de resgate, saúde pública e apoio familiar durante a recuperação.
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