Projeto desenvolvido pelo CEJAM capacita equipes da Atenção Primária na zona sul de São Paulo para identificar situações de risco nas comunidades

A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC), após sofrer maus-tratos, reacendeu o debate nacional sobre a violência contra animais e sua conexão direta com outras formas de agressão. Especialistas apontam que episódios desse tipo podem funcionar como indicadores de violência interpessoal, ampliando o alerta para a atuação integrada entre saúde, assistência social e proteção animal.

Em São Paulo, o CEJAM desenvolve o Projeto Magrão, iniciativa baseada na chamada Teoria do Elo. O conceito parte do princípio de que maus-tratos a animais podem estar associados a situações de violência física, psicológica, patrimonial ou negligência contra pessoas, especialmente em ambientes de convivência próxima e contextos de vulnerabilidade social.

A proposta fortalece a Atenção Primária à Saúde como espaço estratégico para identificação precoce de riscos, ao integrar o cuidado humano e animal dentro de uma mesma lógica de vigilância e proteção.

Implantação na zona sul da capital
O projeto foi iniciado em 2024 em duas Unidades Básicas de Saúde da zona sul da capital paulista UBS Alto da Riviera, no Jardim Ângela, e UBS Jardim Germânia, no Campo Limpo. Posteriormente, a iniciativa foi ampliada para 30 UBS da região, em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, alcançando toda a rede sob gestão do CEJAM.

Como funciona a identificação dos casos
O primeiro contato ocorre por meio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que atuam diretamente junto às famílias. Ao identificar sinais de maus-tratos a animais, o caso é encaminhado ao Agente de Proteção Ambiental (APA) da unidade. A partir daí, a situação passa a ser discutida de forma integrada, envolvendo ACS, APA, Núcleos de Prevenção de Violência (NPV) e, quando necessário, equipes de assistência social.

Essa articulação permite não apenas o acolhimento imediato, mas também o encaminhamento adequado para a rede de proteção, evitando a fragmentação do atendimento.

Monitoramento e registro
Desde dezembro de 2025, o Projeto Magrão passou a contar com um instrumento específico de acompanhamento. Um campo dedicado à Teoria do Elo foi incorporado ao VIGIMASTER, sistema interno de monitoramento do CEJAM, permitindo o registro padronizado das notificações e o acompanhamento contínuo dos casos.

Avaliação técnica
Para Lúcia Gatti, gerente de Serviços de Saúde da Atenção Primária do CEJAM, a iniciativa contribuiu para mudar a cultura de vigilância nas unidades. Segundo ela, o projeto ampliou a capacidade das equipes de reconhecer sinais indiretos de violência e planejar ações articuladas de prevenção e cuidado, mesmo diante de cenários complexos.

Impacto social
A experiência reforça o entendimento de que a violência não se manifesta de forma isolada. Ao integrar a proteção animal às estratégias de saúde pública, o Projeto Magrão amplia a capacidade do Estado de identificar precocemente situações de risco, protegendo tanto pessoas quanto animais e fortalecendo o cuidado integral nas comunidades.

HostingPRESS Agência de Notícias de São Paulo.
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