O inquérito policial instaurado para apurar a morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, vítima de um disparo efetuado pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira durante uma abordagem no bairro Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, avança nesta semana com a coleta de novos depoimentos e a análise do laudo de necropsia pelo Instituto Médico Legal. A morte de Thawanna, ocorrida em 3 de abril, e os desdobramentos que a sucederam — em particular a promoção da agente ao posto de soldado duas semanas após o disparo fatal, ainda que por força de ato administrativo automático — mobilizaram a sociedade civil, organizações de direitos humanos e movimentos negros em manifestações que ecoaram pela mídia nacional e internacional. A Polícia Militar de São Paulo, em nota, confirmou que a agente foi suspensa de suas funções por decisão judicial e que os dois inquéritos em curso — o civil e o militar — seguem tramitando de forma independente. O caso ganhou novo desdobramento legislativo em Brasília: deputados federais de diferentes partidos apresentaram projetos de lei e requerimentos que exigem a implementação obrigatória de câmeras corporais em todos os policiais militares do país durante o exercício de suas funções. O debate não é novo: São Paulo já adotou as câmeras em larga escala a partir de 2021, com resultados que estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontaram como significativos na redução de mortes em ações policiais. A ausência do equipamento no caso Thawanna é apontada pelos investigadores como um dos principais obstáculos para a reconstituição precisa dos fatos. O episódio alimenta, uma vez mais, a discussão estrutural sobre o modelo de formação policial no Brasil, a doutrina de uso da força e os mecanismos de responsabilização de agentes do Estado em casos de violência.
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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
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