segunda-feira, abril 27 Central de Jornalismo

O desempenho do agronegócio brasileiro no primeiro trimestre de 2026 confirmou a posição do setor como principal locomotiva da economia nacional, com exportações que alcançaram US$ 38,4 bilhões entre janeiro e março, crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A soja em grão respondeu por aproximadamente 35% do total exportado, sustentada pela demanda estrutural da China, que absorve mais de 70% da produção brasileira destinada ao mercado externo. A carne bovina, o algodão e o café especial completam a pauta dos produtos com melhor desempenho no período, beneficiados por valorização das cotações internacionais e pela abertura de novos mercados no Oriente Médio e no sudeste asiático. O cenário, contudo, não está isento de tensões. A imposição de tarifas norte-americanas sobre importações originárias do Brasil, no contexto da política comercial protecionista da administração Trump, reduziu em 20,3% o valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos em fevereiro, forçando produtores e exportadores a reorientarem rapidamente seus fluxos comerciais em direção a mercados alternativos. O Regulamento Europeu sobre Desmatamento, em vigor desde o início de 2025, impõe exigências crescentes de rastreabilidade e certificação que demandam investimentos vultosos em tecnologia e governança por parte da cadeia produtiva brasileira. O principal entrave estrutural ao crescimento das exportações, entretanto, permanece sendo a infraestrutura logística. A dependência excessiva do modal rodoviário, os gargalos portuários de Santos e Paranaguá nos períodos de pico de safra, e o subdesenvolvimento das ferrovias no interior do país custam ao agronegócio brasileiro bilhões de dólares anuais em perdas de competitividade, estimadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP, a Esalq, em até 15% do valor FOB das exportações.

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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe

HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

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