A tarde de segunda-feira, 4 de maio de 2026, ficará marcada na memória coletiva de Belo Horizonte por um dos mais dramáticos acidentes aeronáuticos ocorridos em área urbana no país nos últimos anos. Um monomotor de modelo EMB-721C, com prefixo em apuração pela Aeronáutica, decolou às 12h16 do Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, popularmente conhecido como Aeroporto da Pampulha, com destino ao Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, levando a bordo cinco pessoas entre piloto, copiloto e passageiros. Apenas três minutos após a decolagem, às 12h19, a aeronave perdeu altitude de forma abrupta, percorreu aproximadamente 3,7 quilômetros desde a pista de origem e colidiu com o terceiro andar de um edifício residencial de três pavimentos situado na Rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira, Região Nordeste da capital mineira, antes de capotar e cair no estacionamento do mesmo imóvel.

Os dados definitivos sobre as vítimas foram confirmados ainda no decorrer da tarde de segunda-feira pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais. O piloto, Wellington Oliveira Pereira, e o empresário Fernando Moreira Souto, que ocupava o assento de copiloto, morreram no local, presos às ferragens. Um terceiro ocupante foi resgatado com vida, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito no Hospital João XXIII, referência em trauma na capital mineira, horas após o acidente. Os dois sobreviventes, com estado de saúde inicialmente descrito como grave, passaram por cirurgias e permanecem sob observação intensiva. Nenhum morador do edifício atingido foi ferido, tendo todos sido retirados preventivamente pelo Corpo de Bombeiros pouco antes das 14 horas.

A dinâmica do acidente chamou a atenção de especialistas em segurança aeronáutica pela brevidade impressionante do intervalo entre a decolagem e a queda. Em apenas três minutos, a aeronave percorreu a distância do aeroporto ao ponto de impacto, o que, segundo tenentes do Corpo de Bombeiros ouvidos pela imprensa local, sugere que a perda de sustentação ou a falha no motor teria ocorrido poucos instantes após o momento de rotação, fase mais crítica de qualquer procedimento de decolagem. A perda precoce de altitude em uma aeronave de pequeno porte em ambiente urbano densamente habitado transforma qualquer emergência técnica em um risco imediato e potencialmente catastrófico para a população no solo.

O modelo EMB-721C, de fabricação nacional pela Embraer, é um monomotor a pistão derivado do Piper Cherokee, amplamente utilizado em aviação geral, treinamento de pilotos e voos particulares de curta distância. A aeronave tem boa reputação no mercado de aviação geral brasileira e seu histórico de segurança é considerado satisfatório pelos especialistas. Entretanto, qualquer monomotor, por definição, opera com um único propulsor, o que significa que uma falha de motor não dispõe do redundância que os biturboélices e os jatos apresentam, tornando a emergência imediatamente mais crítica e as possibilidades de pouso seguro em área urbana consideravelmente mais restritas.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o Cenipa, órgão vinculado ao Comando da Aeronáutica e responsável pela investigação de acidentes aeronáuticos civis no Brasil, abriu inquérito imediato para apurar as causas do acidente. Peritos foram enviados ao local e à pista do Aeroporto da Pampulha ainda na tarde de segunda-feira para coleta de evidências físicas, análise dos registradores de dados de voo e entrevistas com controladores de tráfego aéreo que acompanharam os momentos finais do voo. O Cenipa conduz suas investigações com foco em prevenção, buscando identificar fatores contribuintes de natureza técnica, humana e operacional, com o objetivo de recomendar medidas que evitem a repetição de ocorrências similares.

O acidente reacende o debate sobre a segurança da aviação geral no Brasil e sobre a compatibilidade entre o trajeto dos voos que partem do Aeroporto da Pampulha e a densidade demográfica das regiões sobrevoadas. O aeroporto da Pampulha, situado em plena malha urbana de Belo Horizonte, enfrenta há anos questionamentos de especialistas sobre o risco potencial que voos de baixa altitude em área densamente habitada representam para a população. O acidente desta segunda-feira, com toda a sua tragicidade, é um chamado urgente à reflexão sobre protocolos de decolagem, rotas de escape em emergência e mecanismos de controle da aviação de pequeno porte em centros urbanos.

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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe
HostingPRESS — Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

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