A prisão realizada em 02/05/2026 marca um avanço na resposta ao crime ocorrido em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. Um dos criminosos de 21 anos, acusado confesso, de participar do estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, foi localizado em Jequié na Bahia, após fugir do estado, evidenciando uma conduta racional, consciente e voltada à impunidade.

Não há improviso. Há planejamento. O padrão é claro, agir, ocultar, fugir.
A investigação aponta cinco envolvidos. Um adulto preso, três adolescentes apreendidos e um ainda foragido. A resposta policial demonstra eficiência e integração.

O debate precisa ocorrer sem espetáculo político. Casos assim não podem ser usados como palco, especialmente diante do cenário eleitoral de 2026. Segurança pública exige seriedade, não discursos vazios.

A prisão é apenas o começo. O sistema de justiça será testado. Espera-se firmeza na audiência de custódia e celeridade no processo, com condenação proporcional à gravidade do crime.
E há um ponto incontornável. A discussão sobre a maioridade penal precisa ser enfrentada com responsabilidade. Quando há atuação consciente e violenta, o modelo atual revela limites evidentes. Enquanto as vítimas carregarão consequências permanentes e perpétuas, a resposta estatal aos menores é restrita no tempo. No máximo 3 anos de internação.

O desabafo do Cmt da Guarda Municipal é compreensível, reflete o sentimento de quem vive a linha de frente e convive diariamente com este sentimento de impunidade. Mas não deve interferir na análise técnica do Judiciário.

Nas ciências policiais, a lição é antiga, repressão eficiente exige integração, rapidez e coerência institucional. Onde o Estado falha, o crime evolui.

Colunista Temístocles Telmo:

Doutor e Mestre em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Pós-Graduado lato senso em Direito Penal . Coronel veterano da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Com 40 anos de experiência de atuação na Segurança Pública. Professor de Direito Criminal na PUC-Assunção. Advogado e membro da Comissão de Segurança Pública da 100ª Subseção do Ipiranga da OAB São Paulo. Em 2023, coordenou os Conselhos Comunitários de Segurança da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e foi Secretário de Segurança de Santo André (2024-2025). É autor, coautor e organizador de 18 livros, com destaque para Vizinhança Solidária. Além de escritor e articulista, também se dedica à poesia.

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