segunda-feira, abril 27 Central de Jornalismo

O Brasil vive, neste final de abril de 2026, um momento de posicionamento estratégico no campo da economia climática, consolidando a arquitetura institucional do seu mercado regulado de carbono e articulando os instrumentos de taxonomia sustentável que orientarão o financiamento verde no país nos próximos anos. O Ministério da Fazenda publicou, na semana de 21 de abril, nota em que destaca os avanços na regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, o SBCE, cujas normas operacionais foram estabelecidas pela Lei nº 15.042/2024 e que deverá entrar em funcionamento pleno até o final do ano. O mercado de carbono brasileiro promete ser um dos maiores do mundo em potencial de créditos gerados, dado que o país abriga a maior floresta tropical do planeta e dispõe de uma matriz energética já notavelmente descarbonizada em comparação com as economias desenvolvidas. A COP30, realizada em Belém do Pará em novembro de 2025, consolidou 56 decisões de abrangência global e posicionou o Brasil como liderança climática ativa, papel que o governo Lula pretende aprofundar na COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia, ainda em 2026. No plano doméstico, a aprovação do marco legal do mercado de carbono é acompanhada pelo desenvolvimento da taxonomia sustentável brasileira, instrumento que classificará atividades econômicas segundo critérios de compatibilidade com a transição para uma economia de baixo carbono — ferramenta essencial para direcionar o capital privado nacional e internacional em direção a projetos verdadeiramente sustentáveis. O desafio que se apresenta ao governo é traduzir os compromissos assumidos na COP30 em políticas concretas que alcancem os municípios, os agricultores e as comunidades da floresta, evitando que a agenda climática se restrinja ao plano da diplomacia e dos mercados financeiros.

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Marcelo Henrique de Carvalho, editor-chefe

HostingPRESS – Agência de Notícias de São Paulo. Conteúdo distribuído por nossa Central de Jornalismo. Reprodução autorizada mediante crédito da fonte.

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