Conhecida como ‘midterms’, rodada de votação elege toda a Câmara, um terço do Senado e maioria dos governos estaduais. Pesquisas indicam possível perda de força de Trump no Legislativo
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Fila de votação nas midterms em 2026
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Reprodução / Youtube/WSJ News 03.11.2026
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Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) na eleição de meio de mandato, conhecida como “midterms”. Os cidadãos dos EUA vão escolher representantes para a Câmara e o Senado, além de boa parte dos governadores.
Atualmente, o partido Republicano tem uma maioria estreita nas duas Casas. As pesquisas de intenção de voto, no entanto, indicam que o equilíbrio de forças pode mudar, reduzindo a força do presidente Donald Trump junto ao Legislativo.
Neste texto, o Nexo contextualiza a votação de 2026 e explica o que está em jogo nas eleições de meio de mandato.
O que são as ‘midterms’
As “midterms” são as eleições legislativas que ocorrem no meio do mandato presidencial. Eleito em 2024, o republicano Donald Trump tomou posse em janeiro de 2025 e fica no cargo até janeiro de 2029.
Os americanos vão eleger nesta terça-feira (3) todos os membros da Câmara dos Representantes, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira, que têm mandatos de dois anos, renováveis.
435
é a quantidade de assentos em disputa na Câmara dos EUA nas “midterms” de 2026
Também está em disputa cerca de um terço das 100 cadeiras do Senado. Os senadores têm mandatos de seis anos, renováveis. O vice-presidente americano — atualmente JD Vance — é também o presidente da Casa Alta.
35
é a quantidade de assentos em disputa no Senado dos EUA nas “midterms” de 2026
Entre as principais funções do Congresso estão a criação e aprovação de leis federais que são aplicadas em todo o país, e a fiscalização do Executivo. O Legislativo é responsável, por exemplo, pela execução de tarifas, pela aprovação de declarações de guerra e pela responsabilização do presidente por potenciais malfeitos — o que significa, em última instância, fazer o impeachment.
Embora a data oficial da eleição seja nesta terça-feira (3), os americanos podem votar antecipadamente de forma presencial ou por correio.
54,5 milhões
foi a quantidade de eleitores que votaram antecipadamente na eleição de 2026, segundo o Election Lab da Universidade da Flórida
O resultado das eleições de meio de mandato decidirá qual partido político comandará o Congresso americano, o que pode definir o futuro do governo Trump. As “midterms” são vistas amplamente como um termômetro sobre a gestão do presidente de turno.
Além disso, nesta terça-feira (3), eleitores de 36 dos 50 estados dos EUA elegem políticos em nível estadual — como governadores e deputados estaduais. São os casos da Califórnia, Flórida, Geórgia e Michigan.
O que dizem as pesquisas
O site 270towin, agregador que elabora mapas eleitorais interativos, projeta na tarde desta terça-feira (3) que o Partido Democrata deverá obter 226 representantes na Câmara ante 192 republicanos. Há ainda 17 disputas em que o site não projetou o partido vencedor.
Para o Senado, a plataforma também calcula que os democratas poderão ter 52 senadores ante 46 republicanos no Senado, segundo o agregador.
Já o site The Center for Politics, instituto acadêmico da Universidade da Virgínia, projeta que os democratas devem conquistar 239 cadeiras na Câmara, enquanto os republicanos ficariam com 196. Além disso, no Senado seriam 53 cadeiras para os democratas e 47 para os republicanos.
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Imagem do Capitólio, sede do Congresso americano
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Divulgação / U.S. Capitol 01.01.2025
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Nos últimos anos, os institutos de pesquisas nos EUA têm registrado grandes diferenças entre as intenções de voto e os resultados finais. A disparidade se dá sobretudo em relação aos votos trumpistas, frequentemente subestimados pelos levantamentos.
Clifford Young, presidente da Ipsos Public Affairs, empresa especializada em pesquisas de opinião e de mercado, afirmou ao site britânico BBC que realizar pesquisas eleitorais se tornou mais difícil diante de mudanças de hábitos dos americanos, como o abandono dos telefones fixos e a crescente filtragem de chamadas.
Ele destacou que muitas pessoas, sobretudo as alinhadas à extrema direita americana, também estão menos dispostas a participar de pesquisas. “Eles [os trumpistas] não participam de nada. Odeiam o sistema. Esse é o desafio”, acrescentou.
Como tradicionalmente essas eleições de meio de mandato são vistas como uma avaliação do governo vigente, vale observar também o atual índice de aprovação de Trump.
60%
é o índice de desaprovação de Trump, segundo o agregador de pesquisas do jornal americano The New York Times; 37% aprovam a gestão do republicano
O equilíbrio de forças no Congresso americano
Atualmente, o partido Republicano — legenda de Trump — comanda as duas Casas do Congresso com margem estreita.
218
é a quantidade atual de representantes do Partido Republicano na Câmara dos EUA. É o número mínimo necessário para controlar a Casa. Um independente vota com os republicanos; 214 deputados são democratas e três cadeiras estão vagas
53
é a quantidade atual de representantes do Partido Republicano no Senado; 45 são democratas e dois independentes votam junto com os democratas
Controlar o Legislativo é importante para a elaboração de leis, barrar ou aprovar medidas do Executivo e, em última instância, até avançar com processos de impeachment contra o presidente.
As corridas-chave de 2026
Nem todas as cadeiras da Câmara ou do Senado estão de fato em disputa. Em algumas delas, candidatos republicanos ou democratas já têm vitória virtualmente assegurada pela tendência local a favor de determinado partido, por falta de adversários ou porque as pesquisas apontam grande favoritismo.
Segundo o canal de TV americano CBS, há 11 disputas para o Senado que merecem atenção e 42 disputas para a Câmara que estão aberto. Essas corridas são consideradas chaves para determinar uma nova maioria ou simbólicas por quebrar o padrão de votação de determinados locais.
Veja abaixo alguns dos embates mais importantes da eleição de 2026.
Senado no Alasca
O Alasca é considerado um estado republicano. Porém, a disputa entre a democrata Mary Peltola, ex-representante do estado na Câmara dos EUA entre 2022 e 2025, e o senador republicano Dan Sullivan, que busca o terceiro mandato, está acirrada.
O pleito no estado tem a peculiaridade de contar com outro republicano na disputa, Gerald Heikes, e o independente Dan J. Sullivan Jr., cujo nome semelhante ao do principal candidato republicano tem gerado um imbróglio por causar possível confusão nas urnas.
Senado em Michigan
Michigan tem uma das disputas decisivas por uma vaga no Senado. Atualmente, a cadeira é ocupada pelo democrata Gary Peters, que está se aposentando.
O embate no estado é entre o ex-deputado federal republicano Mike Rogers, aliado de Trump, e o democrata Abdul El-Sayed, médico, muçulmano e filho de imigrantes egípcios. El-Sayed é alinhado à ala mais progressista do Partido Democrata.
O Michigan é um estado pêndulo (está entre os chamados “swing states”), no qual não há uma preferência partidária definida. Embora historicamente tenha votado mais em democratas, o estado ajudou a eleger Trump em 2016, o democrata Joe Biden em 2020 e Trump novamente, em 2024.
Senado no Texas
O Texas é um reduto republicano – os democratas tentam encerrar essa hegemonia, ao menos no Senado. Para isso, James Talarico, deputado estadual democrata e ex-professor, enfrenta o republicano Ken Paxton, procurador-geral do estado desde 2015.
Talarico se tornou conhecido por críticas nas redes sociais à aproximação entre religião e políticas conservadoras, enquanto Paxton se apoia na associação ao aliado Trump.
Câmara na Califórnia
Ao menos quatro distritos da Califórnia — que é um reduto democrata — estão indefinidos. Um deles é o 13º Distrito Congressional. O democrata Adam Gray tenta a reeleição — ele conquistou a vaga em 2024, vencendo por menos de 200 votos, depois de ter perdido a disputa de 2022 por menos de 600 votos. O republicano Kevin Lincoln, veterano do Corpo de Fuzileiros Navais, tenta ocupar a cadeira.
Câmara em Ohio
Em Ohio, que tem votado com mais frequência nos republicanos desde 2016, dois distritos chamam mais a atenção. Com o novo mapa eleitoral no estado, os republicanos apostam na vitória no 1º Distrito, assento ocupado desde 2023 pelo deputado democrata Greg Landsman. Eric Conroy, veterano da Força Aérea e ex-agente da CIA, venceu as primárias republicanas com o apoio de Trump e tenta desbancar o democrata.
Como Trump ensaia uma contestação
Ao longo dos dois anos de segundo mandato, Trump vem fazendo manobras para minimizar ou reverter uma derrota nas “midterms”.
Ele pressionou estados de maioria republicana a fazerem o redesenho dos mapas eleitorais em uma prática chamada de gerrymandering — termo que junta o nome de Elbridge Gerry, ex-governador de Massachusetts, e “salamander” (salamandra, em inglês). A ideia do gerrymandering é redesenhar os distritos, ampliando ou diminuindo seus tamanhos para beneficiar certo partido.
O sistema distrital, ou voto distrital, consiste na divisão de cadeiras do Parlamento com base em áreas geográficas. Os eleitores desses distritos eleitorais ou congressuais só podem votar em representantes desses locais.
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Donald Trump fala sobre votação na Flórida
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Joyce N. Boghosian / Casa Branca 24.10.2026
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Essa não foi a única manobra do republicano. O governo Trump também travou diversas batalhas judiciais para tentar obter resultados eleitorais mais favoráveis.
Nos EUA, não há um tribunal ou comissão eleitoral que centralize a realização das eleições. A organização cabe aos estados, mas o governo Trump tem buscado ampliar a participação federal no processo, com pedidos de acesso a listas de eleitores, aumento na burocracia para votar e tentativas de alterar regras para a votação pelo correio. A Justiça barrou todas essas medidas.
Ele também ameaçou enviar agentes do ICE, agência americana de Imigração e Controle de Alfândega, para locais de votação para intimidar eleitores.
Em outra manobra, o governo federal acionou na segunda-feira (2) a Justiça para barrar 20 mil votos na Califórnia, um estado considerado democrata, alegando que as cédulas não seriam de cidadãos americanos — o que foi barrado pela Suprema Corte.
A administração do republicano também acionou o Judiciário para tentar suspender o processo no Alasca por causa da semelhança dos nomes dos candidatos, mas a medida também foi rejeitada.
Questionado por jornalistas em 27 de outubro se aceitaria qualquer resultado das eleições de meio de mandato, Trump disse: “Eu respeitarei [o resultado] se forem eleições honestas”.